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Lombalgia nos adolescentes : identificação de factores de risco psicossociais : estudo epidemiológico na Região da Grande Lisboa : Lombalgias

Luís Coelho; Vanessa Almeida; Raúl Oliveira


Objectivos: determinar a influência de factores de risco psicossociais na ocorrência de lombalgia durante o ano lectivo de 2002-2003 em adolescentes com idades compreendidas entre os 11 e os 15 anos moradores na Região da Grande Lisboa.
Desenho do estudo: transversal e retrospectivo (tipo survey), baseado num questionário de auto-resposta e numa escala de validados.
Métodos: amostra constituída por 208 adolescentes (103 rapazes e 105 raparigas) com idades entre os 11 e os 15 anos (média de 12,8 ± 1,44) e com distribuição homogénea nas principais variáveis. O questionário incluiu dados pessoais, factores psicossociais (tabagismo, participação desportiva, hábitos sedentários), escala visual análoga da dor, e foi, em conjunto com a escala de autoconceito de Piers-Harris, distribuído e recolhido pelos autores em escolas e clubes da Região de Lisboa.
Resultados: a prevalência da lombalgia foi de 39,4%. Encontrámos relação entre a prevalência de lombalgia e a ausência de actividade física (p = 0,001), o tempo gasto em jogos electrónicos (p < 0,001), os indivíduos que não realizavam as deslocações casa-escola-casa a pé (p < 0,001) e o (baixo) nível de autoconceito (p < 0,001). A relação entre as variáveis — anos de prática desportiva e os níveis competitivos e outras actividades sedentárias (dormir, ver televisão) — e a ocorrência de lombalgia parece estar sobretudo relacionada com outro factor (autoconceito). A relação entre o tabagismo e a dor lombar não pode ser estabelecida de forma concludente. O ponto de prevalência presente foi de 16,3% e a prevalência cumulativa de 48,1%. Na maioria dos casos (72%), a lombalgia foi «uma situação benigna» resolvida espontaneamente em dois dias, mas pelo menos um em cada quatro jovens «sofredores» recorreu ao apoio externo (por exemplo tratamento médico, fisioterapia). 13% tornaram-se «sofredores» de lombalgia com agravamento do quadro inicial.
Conclusões: a lombalgia nos jovens é um fenómeno comum que deve ser entendido como «uma experiência normal de vida». Existe uma associação entre a lombalgia e a ausência de prática desportiva, a ausência de deslocações casa-escola-casa a pé, o tempo gasto em jogos electrónicos e o baixo nível de autoconceito. Os factores psicológicos, como o autoconceito, são importantes variáveis a ter em conta nos estudos de identificação de factores psicossociais associados à lombalgia.

 

Palavras-chave: saúde dos adolescentes; lombalgias; factores de risco; psicossociologia da saúde.